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Durante quatro meses, a Cia.Livre faz um Estudo Público sobre o tema África Brasil/Mestiçagem, com aulas públicas, palestras, mostra de filmes, leituras dramaticas e experimentos cênicos (ensaios abertos do processo de criação).
O Estudo Público África-Brasil / Mestiçagem, por sua vez, sera a base da construção dramatúrgica e da concepção do espetáculo Édipo & Anti-Édipo – Uma Tragédia Afrobrasileira (nome provisorio), com estréia prevista para 2012.
AULAS PÚBLICAS
Segundas feiras, das 14hs às 17hs
Inscrições pelo email: estudo@cialivredeteatro.com.br
EXPERIMENTOS CÊNICOS E LEITURAS DRAMÁTICAS
Apresentação: Segundas feiras, às 20h
PALESTRAS E MOSTRAS DE FILMES
Sextas feiras, às 20h
SERVIÇO
Local: Casa.Livre
R. Pirineus, 107 – Barra Funda
(travessa da Av. São João / Próximo do metrô Marechal Deodoro)
Tel. 32576652 / 64309916
Informações: estudo@cialivredeteatro.com.br
Toda a programação é gratuita
Atores-criadores: Edgar Castro, Eduardo Gomes, Eduardo Silva, Lúcia Romano, Vanderlei Bernardino
Treinamento e direção vocal: Lucia Gayotto
Treinamento e direção corporal: Lú Favoretto
Assistência de produção: Rodrigo Batista
Administração e direção de produção: Eneida de Souza
Fotografia: Cacá Bernardes
Documentário: Evaldo Mocarzel
Dramaturgistas: Gabriela Almeida & Cia.LIvre
Consultoria dramatúrgica: Luis Alberto de Abreu
Bilheteria: Jamile Valente
Direção de cena: Daniela Colazante
Luminotécnica: Luana Gouveia
Cenotécnico: Wanderley Wagner da Silva
Iluminação: Alessandra Domingues
Direção de arte: Simone Mina
Direção: Cibele Forjaz
A Cia.Livre trabalha sobre temas ligados à formação cultural brasileira desde 2004, quando ocupou o Teatro de Arena de São Paulo, com os projetos ARENA CONTA ARENA 50 ANOS e ARENA CONTA DANTON (Prêmio Mambembe/2004 e Prêmio Shell Especial/2004). O Estudo Público Mitos de Morte e Renascimento: Povos Ameríndios (de 2006), aprofundou o campo de interesses do grupo e deu origem aos espetáculos Vem Vai – O Caminho dos Mortos (2007/2009), com dramaturgia de Newton Moreno (Prêmio Shell Direção e atriz), e Raptada Pelo Raio (2009/2010), com dramaturgia de Pedro Cesarino. Ambos os espetáculos foram realizados em processo colaborativo, a partir da recriação antropofágica de mitos e cantos sobre as concepções de morte de diversos povos ameríndios. Esses espetáculos buscaram uma tradução eminentemente teatral de alguns conceitos fundamentais da antropologia brasileira contemporânea, de forma a criar um olhar novo sobre a idéia das alteridades na formação da cultura brasileira e contribuindo assim para a superação de estereótipos projetados sobre universos indígenas.
O diálogo multidisciplinar Este projeto só pode ser conduzido em uma perspectiva multidisciplinar. A colaboração entre disciplinas é um dos mais marcantes traços da contemporaneidade. Entendemos que o trabalho de pesquisa não é apenas uma etapa de treinamento para a equipe criativa, mas parte do processo artístico de criação. A Cia Livre tem realizado essa colaboração com bastante empenho e seriedade.
Diversidade cultural e mestiçagem O foco na polêmica questão da mestiçagem aproveita o presente momento cultural, no qual se rediscute as contribuições do modernismo e da cultura brasileira frente à experiência contemporânea e às produções globais de sentido. A reflexão sobre a mestiçagem e a relação África-Brasil é argumento estratégico para uma revisão crítica dos pressupostos do modernismo (entre eles, a busca de uma identidade nacional unificadora e a construção de um passado mítico, pacífico e romantizado).
O comércio Atlântico entre Brasil, África e Europa, estruturou as relações econômicas, sociais e políticas no Brasil, desde a colônia até o fim do Império, marcando profundamente as raízes da nossa cultura. O tráfico negreiro, baseado na mercantilização de seres humanos, alimentou a Guerra Negra (guerras entre reinos africanos) no sertão da África e a escravidão no Brasil. Não obstante, a travessia do Atlântico recriou o mundo da África no Brasil. Com ela, surgiu uma tradição religiosa e cultural ligada ao culto dos antepassados, que conecta a vida e a morte dos dois lados do Atlântico. A estrutura escravista, por sua vez, forma o pensamento e a cultura brasileira, mestiça e marcada pela desigualdade e violência.
Embora fundamental no imaginário e no cotidiano brasileiros, essa perspectiva se mantém submersa e seus sujeitos, distanciados de nós, seguem sendo nossos desconhecidos. A ausência de arcabouços simbólicos sobre práticas de sentido que nos rodeiam, contudo, acaba por silenciar os referenciais de formação da cultura brasileira. Isso resulta numa ausência de critérios, que mina a construção de reflexões éticas e políticas e a descoberta de ações e posturas transformadoras. Para a Cia Livre, uma cultura não será suficientemente livre e plena, se não fizer jus à potência artística das fontes que a formaram e com as quais ainda convive.
De Édipo Rei a Édipo & Anti-Édipo – uma tragédia afrobrasileira O Estudo Público África-Brasil / Mestiçagem, que dará origem ao espetáculo inédito Édipo & Anti-Édipo, retoma um mito fundador da cultura ocidental e o transporta para terras afrobrasileiras, a fim de propor um experimento entre distintos tempos e territórios."
Édipo, o decifrador de enigmas, investiga a causa da peste que assola a sua cidade, a nau de Tebas. O oráculo de Delfos revela que a origem da peste está no assassinato não vingado do Rei Laos, numa encruzilhada de três vias. Esse é o ponto de partida para a tragédia do nosso Édipo Mestiço. No processo de investigação de um crime do passado, Édipo constata que desconhece a própria origem, o que o leva a cometer o crime de sangue que funda o seu poder e sua linhagem. Édipo reconhece ser seu próprio algoz. No fim, cega a si próprio e vai para o exílio, vagando sem destino.
É a partir de tal mito que a Cia.Livre reflete sobre as ambiguidades de nossa mestiçagem, marcada por uma violência de origem: a escravidão e as relações econômicas e sociais baseadas na desigualdade. A hybris de nosso Édipo mestiço está alojada também em sua cegueira teimosa, que metaforiza as sucessivas anistias de nossa história (e que levam ao perigoso esquecimento coletivo dos massacres que forjam nossa nacionalidade).
Revelar e reconhecer o passado sangrento é uma forma de entender um presente desigual e possibilitar um futuro de relações mais justas e verdadeiras.
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